Nos dias 09,10 e 11 de novembro de 2008, o Centro de Mídia Independente de Tefé realizou Oficina de Rádio Livre na Comunidade Indígena Marajaí - Alvarães, através do Coletivo da Rádio Xibé 106.7 FM com programação na Manhã, Tarde e Noite nos dois primeiros dias.
Conhecemos o 1º Tuchaua Sr. Lorival e o 2º Tuchaua Amarildo, o quais nos receberam com bastante alegria e comemoração. Todos da aldeia indígena se faziam presentes: pais, mães, filhos e netos, sem falar nos mais antigos os quais são sempre consultados numa decisão ou reunião especial.
Saímos dia 09 às 17:30 de barco pequeno até Nogueira, e de Nogueira de carro até a cidade de Alvarães onde nós pernoitamos. No dia seguinte cedo, pegamos uma catraia e ao longo do rio de águas cheias de redemoinhos, gastemos uns 30 minutos até a chegada na comunidade a qual era distante da margem mais 800metros da margem.
Participemos de uma reunião comunitária, que tratava de assuntos diversos inclusive nós mesmo, no sentido de apresentação de todos os visitantes presentes. Logo foi marcada o início de horário das atividades conforme a movimentação local, acertado de manhã as 10h até as 11:30h, de tarde as 16h as 17:30 e noite de 20h as 21:30h.
Já todos combinados, começamos no horário certinho sem atraso, no desenrolar da oficina fomos nos conhecendo a cada pergunta, a cada idéia surgida, e nos intervalos de cada oficina. Espantoso o grau de absorção da língua informal para a lígua indígena neste período, a troca de informações foi muito diferenciada no modo em que nós escutávamos e no modo ensinado, foi tudo muito espirituoso.
Colhemos informações a cada visita nas casinhas de madeiras humildes, mas acolhedoras, nos sentimos em casa. Carregamos em nossas costas uma responsabilidade ainda maior, porque nos comprometemos de sempre estarmos acompanhando as suas atividades, realizações e conflitos com o branco.
Ensinar Rádio Livre como manuseio de equipamentos, montagem de equipamentos caseiros e até mesmo contrução de mini-transmissores foi algo desafiador, no entando, vimos que eles tem uma facilidade muito grande para aprender e isso nos impressionou, no meio disso tudo surgiu deles a pergunta de podermos ajudá-los na questão de gravação de áudios e vídeos, produzir material didático indígena feito pelos indígenas.
Foi algo muito além do que tinhamos pensado, ter feito um primeiro contando com uma outra comunidade indígena diferente das demais, abre olhos pra enxergar mais além dos horizontes. É um prazer enorme de andar lado a lado com nosso parentes, o que ouvimos eles dizer ainda, é que as pessoas da rádio xibé que estavam lá, vão ficar marcados na história indígena de Marajaí.
Isso causa uma união de espíritos guerreiros da cidade e da comunidade indígena, e pouco a pouco estamos feçando laços com todas as comunidade indígenas existentes no médio solimões. E convido a quem quiser ter essa experiência, participar desse xibé de encontros nativos.
E a moral que sempre fica pra quem visita e se vai, é que sempre temos algo a aprender, e digo que muito mesmo.
