CMI Tefé entrevista a rede [Aparelho]:-

Em Belém do Pará uma trupe tem saído de combi para realizar intervenções midiáticas em comunidades e espaços públicos, buscando despertar nas pessoas a liberdade, o uso ativo das mídias. Na combi aparelho de som, vídeo, telão, filmadora, máquina fotográfica, computador, microfones, etc... Os locais: Mercado Veropeso, um quilombo, e agora a UFPA. O nome, inspirado nas "Aparelhagens" de Belém, grandes e equipadas festas populares. Com ativistas oriundos de movimentos variados como o Mídia Tática de São Paulo e as rádios comunitárias de Belém, a rede está agora voltando suas intervenções para o meio universitário, com a idéia de formar um coletivo que coopere no nascimento da rádio Frequência Livre.

CMI Tefé: como nasceu a rede Aparelho?

Luis: surgiu da idéia de ocupação de praças e espaços públicos, na tentativa de juntar pessoas e grupos diferentes mas que congregavam das mesmas angústias sobre cultura, assim formamos a ideia e começamos com um cineclube...na primeira grande ação conseguimos ajuntar a galera do hiphop, tecnobrega e reggae. Grupos que não se suportam mas que precisam se fortalecer. O encontro foi muito interessante. O problema todo é o preconceito de um grupo com o outro...tipo quem é mais negro, mais paraence, mais cultural....triste!

CMI Tefé: Que histórias havia antes da rede Aparelho? Quais são as influências mais importantes?

Luis: cada participante traz diferentes histórias, mas todas passam pelo crivo do ativismo nas midias, um pouco de movimentos sociais e uma pitadinha de loucura, afinal...precisamos disso pra realizar algumas ações né, não?! No meu caso tive uma passagem pelo Mídia Tática brasil em 2003, evento realizado em SP que me mostrou outras relações com a midia e com o chamado "do it yourself", faça você mesmo!

CMI Tefé: a palavra "Aparelho" é usada também para designar as ações de vocês. No fim do ano passado houve "aparelho" numa comunidade quilombola e no mercado Veropeso. Como são essas ações?

Luis: a intenção é levar a mídia e um tipo de cultura pra espaços que não recebem isso e que normalmente são muito marginalizados, no caso do ver-o-peso foram algumas ações, o pessoal que trabalha e que convive lá sempre aprova as ações e perguntam quando vamos voltar, isso é muito legal! em uma dessas apresentações, que tinha um público de fora do espaço...rolou uma pergunta muito interessante que deixa isso mais claro: o rapaz instruído formamalmente perguntou "vocês precisam realizar este evento em locais mais acessíveis, para que o público se sinta a vontade de vir e participar", a resposta foi: mas vocês não são o nosso público, nosso público é quem vive aqui!

Já no quilombo foi um caso a parte...precisamos voltar lá pra trocar mais experiências com eles. Fomos muito bem acolhidos e passamos alguns videos pras crianças e adultos também, kiara, vista minha pele, kiriku entre outros!

CMI Tefé: como vocês escolhem os locais das intervenções?

Luis: levantamos a possibilidade e colocamos em discussão se todos concordam é pra lá que vamos.

CMI Tefé: quais estão sendo os resultados?

Luis: os resultados ainda são muito nossos, nas analises que cada um faz e tira das ações, além é claro do que as pessoas sentem e deixam transparecer nas apresentações.

CMI Tefé: agora a rede lançou o Consórcio Freqüência Livre, num Aparelho realizado na UFPA, para formar a rádio livre com o mesmo nome. O que vocês podem nos dizer sobre a estratégia de plantação ("plantação" mesmo!) desta rádio?

Luis: difícil...e muito! O caráter de festa toma conta do evento...e a rádio passa longe disso...as pessoas precisam ver a coisa acontecida, se não tiver uma portinha com uma plaqueta escrita "RÁDIO" em cima, ninguém bota fé! Mas nós insistimos vamos buscar outras estratégias pra isso.

CMI Tefé: por que ao plantar uma livre a Aparelho se volta à universidade? Quais são os novos dilemas que surgem agora?

Luis: na verdade essa discussão existe na ufpa desde sempre, só queriamos aproveitar isso. O dilema é conseguir gente afim de fazer rádio e não festa...ou pelo menos não só isso.

CMI Tefé: existe o risco dessa nova linha afastar a Aparelho dos grupos populares?

Luis: impossível.

CMI Tefé: as pessoas da Aparelho também fazem parte do pré-coletivo CMI Belém. Como vai a entrada no CMI Brasil?

Luis: a maioria faz parte de tudo, por isso precisamos de mais ajudadores, não há tempo pra fazer isso tudo....nem atas do cmi conseguimos escrever, na real nossa entrada no cmi brasil está bem devagar....bem devagar mesmo...mas vamos continuando...uma hora isso sai!

Veja as fotos dos aparelhos na UFPA: em 02/02/07 e em 09/02/07.

Sítio da rede Aparelho

(imagem do topo: aparelho na UFPA em 09/02/07)