O verdadeiro Dia do Índio na Barreira das Missões

O verdadeiro Dia do Índio na Barreira das Missões
Hoje foi mais um dia que simples, de pessoas que atuam de forma autônoma, libertária e com rastros de muita humildade e amizade. Pela manhã as oito horas da manhã, dois companheiros de militância e seus equipamentos de rádio livre, somando com os indígenas moradores da Barreira da Missão, entram numa canoa em direção a localidade da barreira, são mais ou menos uma hora de ida e uma hora e meia de volta, subindo morros com cabos antena, transmissor, vara comprida de ferro, e sacolas de material restantes, e ao longo do percurso as conversas com novidades de assuntos que discorriam até a chegada na parte habitada, e lá já avistando as pessoas com curiosidade de saber quem é esse pessoal novo que vem por ali, sorrisos nos rostos e força na participação, se apropriando da tecnologia que foi levada, começando a propagar pelas ondas eletromagnéticas, as suas mensagens, falas e relatos em torno de uma programação voltada para o verdadeiro dia do índio.

Particularmente tive uma sensação arrepiante, e isso não acontece sempre, por se tratar de uma luta milenar contra os brancos, me investia da causa com olhar de resistência na defesa das comunidades indígenas, diante ao imenso esforço que é para manter as tradições e práticas aprendidas pelos mais antigos, seja Ticuna, Cambeba ou Cocama. As minhas interpretações se renovam a cada instante que freqüento a comunidade, e me dá forças para iniciativas na ajuda coletiva pela construção de novas formas de resistência e atuação, indo de frente aos desenvolvimentos e avanços que a sociedade capitalista impõe, como se fossem modelos exemplares de vida saudável.

Participar da vida da comunidade, será uma das formas de aproximação que ajudará para um futuro muito próximo, a terem as ferramentas necessárias para amparo nas decisões e manifestos que poderão acontecer, e falo disso por conta de uma possível construção do Porto de Tefé, ao lado da comunidade indígenas, a qual só tem uma rua pavimentada, mas que demonstra o interesse de atuação pelas empresas, por parte daquelas terras e o que eles podem proporcionar com a circulação de mercadorias e pessoas.

Partindo desse pensamento, não é uma simples preocupação indígena e nem somente deles, pois a floresta que ali for derrubada, deixa de ser área preservada e terá todo o imenso impacto ambiental ruim que pode ocorrer numa paisagem a margem do rio. Sem falar na biodiversidade que existe e que são de onde a comunidade indígena, se utilizar para seus preparos de alimentos e cultivos, e ainda a preparação de remédios naturais.

No dia do índio, é difícil saber as verdadeiras dificuldades se olharmos somente para a comemoração burguesa, escolástica, educacional das elites. O verdadeiro dia a dia do indígenas, que todo mundo já deve ter ouvido falar, é a prática de matança, invasores em áreas demarcadas, exploração ilegal de madeira de reserva, e o descaso do poder público, que comemora esse dia escolhido pelos brancos para lembrar dos dominados, isso começa na verdade, desde a época da colonização do europeus (espanhóis, ingleses e franceses e outros)com suas boas intensões e novidades para enganar, e se dizer dono das terras que chama hoje de Brasil.

Força e resistência a todas comunidades indígenas do Brasil.