500 impedem ação da PM e ocupam instituto para barrar militarização da Universidade de São Paulo

No dia 27/10/2011 a PM abordou três estudantes na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) e agiu de forma truculenta, acusando-os de consumo de maconha. A ação foi o estopim para a mobilização de 500 estudantes para barrar a militarização da USP e combater a gestão duvidosa do reitor João Grandino Rodas, investigado por corrupção pelo Ministério Público.

Diante da tentativa da PM em prender os três estudantes outros foram se aproximando para impedir a ação e a polícia foi chamando reforços: chegaram ao menos 15 viaturas e centenas de estudantes e professores. Durante 3 horas de tensão crescente a polícia fez ameaças e ofensas verbais, até que finalmente atacou com gás lacrimogênio, spray de pimenta, bala de borracha e cassetete, num confronto que durou meia hora. O Prof. Lincoln Secco afirma que viu os estudantes "enpunhando livros contra policiais atônitos". Em seguida 500 estudantes decidiram em assembléia ocupar a administração da FFLCH até que o reitor João Grandino Rodas rompa o convênio que assinou vinculando a USP à PM e cesse o processo de militarização da universidade.

Em entrevista ao blog do Sakamoto, manifestantes afirmam que "historicamente, o movimento social organizado na USP obteve a conquista da autonomia universitária. Isto significa afirmar uma concepção de universidade como espaço de livre pensamento, organização e manifestação. A autonomia também se refere à segurança. Por isso, temos na USP a Guarda Universitária. A presença de forças militares no campus não apenas em história longínqua, como também em anos recentes, não esteve relacionada à garantia de segurança e ao combate ao crime, mas sim à repressão política ao movimento social da Universidade. Em 2009, por exemplo, a Polícia Militar transformou o campus do Butantã numa praça de batalha ao reprimir um movimento grevista."

Blog da ocupação

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