Ouvidoria da EBC admite que Agência Brasil reproduziu "mito da interferência", mas cala sobre rádios livres

No dia 4 de outubro o CMI denunciou a Agência Brasil por veicular sem aspas e no final de uma notícia sobre a repressão a rádios livres e comunitárias a mentira de que elas são as responsáveis por interferências em serviços como aviação e bombeiros. A mentira foi criada pelas empresas que querem manter o monopólio dos meios de comunicação e fazem o lobbie pela repressão, sendo reproduzida pela ANATEL, sua fantoche. Após receber inúmeras reclamações a notícia foi "corrigida" e a Ouvidoria da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), da qual a Agência Brasil faz parte, reconheceu o "erro" em sua coluna, num da qual destacamos as conclusões finais:

"Erros de edição ou equívocos como esse, apesar de remediados, correram o mundo reforçando o mito da criminalização das rádios comunitárias (...) Tal como as rádios comunitárias, a Agência Brasil é um veículo público de comunicação que tem na sua origem e na sua própria razão de existir a liberdade de imprensa, de comunicação e de pensamento. Seu conteúdo deve contribuir de maneira decisiva para que estes valores se propaguem por toda a sociedade. Qualquer mentira que ameace esses direitos deve ser veementemente repudiada e nunca reproduzida."

Leia na continuação: EBC tenta calar a rádio Pulga

Manifesto: Rádio Pulga, 21 anos de rádio livre contra o dragão do Coronelismo Eletrônico!

Conexões: Denúncia: Agência de notícias "pública" reproduz propaganda contra a democratização dos meios de comunicação | Versão original: ONGs se queixam da repressão da Anatel a rádios comunitárias | Versão "corrigida": ONGs se queixam da repressão da Anatel a rádios comunitárias | Coluna da Ouvidoria - Pela liberdade de comunicação | Reclame na Ouvidoria da Empresa Brasil de Comunicações

Apesar da EBC reconhecer um dos "erros", apoiadores da rádio Pulga afirmam que a matéria mantém graves injustiças, sobretudo porque a rádio concedeu entrevistas à TV Brasil - que também é da EBC - e à equipe que redigiu e editou a matéria da Agência Brasil. Sua voz foi censurada pelos dois veículos:

"1- A rádio pulga é citada duas vezes na matéria, sem a informação de que é uma rádio livre, e o que é pior, sem explicar o que é uma rádio livre.

2- A rádio pulga não foi fechada. Ela teve seu transmissor apreendido, o que é bem diferente.

3- A matéria não mostra a opinião das rádios livres (apesar de tratar sobre uma repressão a uma rádio livre), somente das rádios comunitárias, que reivindicam licenciamento na matéria. A matéria ignora as reivindicações e lutas das rádios livres e, principalmente, as legislações internacionais que estão acima de leis nacionais de radiofusão (que reprimem a liberdade de
expressão).

4- Além disso, a matéria alega que a repressão teve apoio dos diretores do Instituto de Filosofia, e Ciências Sociais, o que é uma calúnia, justamente com pessoas que estão com problema de saúde agravados pela situação em questão. Peço retificação, pois não há nada que prove que os diretores do IFCS tiveram ciência prévia da operação, pelo contrário, até tentaram intermediar a situação, ao contrário da Reitoria da UFRJ, esta sim que autorizou a repressão, através de sua Procuradoria."