COMUNIDADE DO CAPOTE/RDS MAMIRAUÁ - PALCO IMPORTANTE DE UMA IMPRESSIONANTE ASSEMBLÉIA GERAL

Nos dias 25, 26 e 27 de março de 2010, aconteceu a XVII Assembléia dos Moradores e Usuários da Reserva Mamirauá, proximo do município de Fonte Boa, Comunidade do Capote, com ida num percurso de Tefé à Fonte Boa com paradas nas comunidades ribeirinhas ao longo das margens rio com ou sem barrancos.

Chegando na comunidade, percebi casa grande de madeira construída para o evento, que não existiam mesas diretoras (coisas do tipo hierárquico) e sim só cadeiras, o que me fez pensar na ideologia da igualdade social, todos eram alí iguais e ninguém maior que o outro, todos no mesmo plano, todos filhos da terra.

Acompanhei a discussão no que uma maior parte do tempo, se tratou de organizar e articular a criação de uma associação modelo para as comunidades ribeirinhas de setores da reserva Amanã, o que pode oferecer uma melhor participação nos recursos e subsídios advindos do Estado.

Participavam jovens, crianças, adultos e idosos, todos com grandes perspectivas e atenção rigorosa no que se esclarecia e também nas dúvidas frequentes, mostrando que os líderes de cada setor - que cuidam de "n" comunidades, estão se organizando para uma melhor sustentabilidade e qualidade de vida em suas comunidades.

Observei que, junto na assémbleia estavam também moradores preocupados na transmissão de uma mensagem importante que levariam a suas comunidades, no caso, o resultado da assembléia, e o que foi acertado e o que ficou para uma próxima, mostrando um sentimento de união e força de vontade, de todos ali misturados como uma força misteriosa da natureza.

Todos querem o melhor para suas vidas, mas não querem que a mata ou floresta tenha que sofrer as consequências de tal iniciativa, chegando a discussão sobre o bolsa floresta (programa do governo), e o que representaria este tipo de envolvimento.

Deduzi que um encontro deste, tem sido visto com grande alegria por parte de todos, uma vez que se encontram muitos conhecidos (pessoas) e trocam idéias que estão guardadas a tanto tempo, e num encontro se desdobra toda uma história de vida repletos de inúmeros sacrifício e coragem para cada uma delas.

Por realizar uma mobilização imensa como esta, já se percebe enorme preocupação com a preservação dos lagos, igarapés e a floresta, e buscar alternativas de sobrevivência sendo fator que exige meios, por causa da variação climática constante da região, o que reflete na agricultura familiar e criação de animais.

Vale ressaltar que a comunicação entre eles e as comunidades, sem sido uma limitação, e a novidade de uma Rádio Livre(Xibé 106.7fm)transmitindo toda a assembléia para a região, foi algo impressionante para todos presentes, chegando até ter propostas de atividades em outras comunidades.

De início era meio estranho e não sabia o que realmente me aguardava, mas a participação nesta, me trouxe a memória das comunidades indígenas que lutam pelo seu reconhecimento e respeito das terras, e vi que os riberinhos também que o mesmo pensamento, o que me elevou tamanha alegria e me fez sentir a vontade entre todos eles que ali estavam.

Conhecer pessoas através de laços de encontro de comunidades, é algo inesquecível, só sabe quem participa, e quem está lá realça sua luta e revitaliza as forças, cria um círculo maior de amor e união, e por fim faz a transformação social ser um banzeiro constante na vida de cada um de nós, uma total liberdade de expressão.

Gostaria de poder contar a história de cada um deles, mas é algo que pode ser mais sonho a ser realizado, então breve histórias de vidas aparecerão.

E a história continua...