No Dia Mundial da Água, 22 de março, 40 milhões sem água no País

No Brasil verifica-se em todas regiões o comprometimento da qualidade das águas dos mananciais.

Nesta segunda-feira, 22 de março, comemora-se o Dia Nacional da Água. Uma data que não pode ser comemorada por 40 milhões de brasileiros que não têm acesso aos sistemas de abastecimentos público. Um número assustador para um País emergente. O quadro é agravado com a falta de esgotos tratados – calcula-se que 100 milhões de brasileiros não tenham acesso ao sistema de esgotos.

A consequência dessa situação é a poluição crescente dos recursos hídricos, reduzindo a oferta de água tratada. No planeta, 2,6 bilhões de pessoas não são beneficiadas com saneamento, o resultado é a morte de 5 milhões de pessoas, por ano, devido a doenças ocasionadas pela má qualidade da água.

As crianças são as mais afetadas com essa situação. No mundo 4.200 morrem diariamente devido a falta de saneamento, cerca de 3 por minuto. Já na América Latina, são 100 mortes diárias, ou seja, 36 mil mortes por ano. A falta de esgotamento traz hepatite A, diarreia, dengue, cólera, esquistossomose e outras enfermidades. Em média, na última década, ocorreram 700 mil internações, por ano, no Brasil, decorrentes de doenças relacionadas à falta ou inadequação de saneamento.

No Brasil verifica-se em todas regiões o comprometimento da qualidade das águas dos mananciais, mas a universalização do saneamento, que resolveria essa situação, pelo andar da carruagem, só vai ser alcançada dentro de 66 anos. É que para levar o serviço a todos brasileiros seriam necessários investimentos de R$ 260 bilhões, mas como o governo só investe, em média, R$ 4 bilhões, por ano, levaria mais de seis décadas para chegar ao objetivo proposto.

Atualmente, o lançamento de esgotos domésticos é o principal fator de degradação dos corpos d´água no Brasil. Estima-se que 48 % dos domicílios brasileiros possuem coleta de esgotos, sendo que 21 % se utilizam de fossas sépticas.
Considerando o total de esgoto coletado, apenas 20% recebe algum tratamento, sendo o restante lançado diretamente nos corpos d´água. Outro problema é a perdas de água, que no Brasil chegam a 45%.

De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA) as principais bacias do País que apresentam problemas de poluição encontram-se em regiões metropolitanas (São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Vitória, Recife, Salvador, Fortaleza, Belém, Manaus).

Na 2ª Conferência que aconteceu, entre 14 e 18 de março, em Foz do Iguaçu, o Brasil se comprometeu a cumprir as metas até o prazo final. Dentre os desafios brasileiros estão a redução do déficit de rede de esgotamento sanitário urbano de 66 milhões de pessoas e ampliação do tratamento de esgotos de 40% do que é coletado e tratado. Segundo dados da Caixa Econômica Federal, nos anos de 2007 e 2010, através do Plano de Aceleração da Economia (PAC), o Brasil investiu R$ 12 bilhões em saneamento.

De acordo com o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM), estabelecidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) na área de saneamento que incluem saúde, equidade de gênero, economia e ambiente, cada país tem que reduzir em 50% o déficit da área urbana na coleta de esgoto até 2015. Esses compromissos foram reafirmados pela Declaração de Cali durante a 1ª Conferência Latino-americana de Saneamento na Colômbia em 2007.

Fonte: Trechos de http://www.ecodebate.com.br/2010/03/22/no-dia-mundial-da-agua-22-de-marco-40-milhoes-sem-agua-no-pais/