Flor da Palavra na Vila Pescoço, dia 5 de julho - com rádio Xibé em 106,7FM

Começa neste sábado, dia 5 de julho, no Bairro Nossa Senhora de Fátima (Vila Pescoço) a III Flor da Palavra de Tefé. No sábado haverá oficina de rádio livre a partir das 16h, com os equipamentos disponíveis para a comunicação livre da comunidade e visitantes através da freqüência 106,7FM – o bairro dará o nome à rádio nesta ação da Xibé Louca e Livre. A partir das 18:30 haverá um pronunciamento do presidente da associação do bairro, Sr. Sátiro, seguido da apresentação dos trabalhos de iniciação científica da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) de Fabriciana Moraes, Alex Coelho e Pedro Paula, respectivamente sobre os jovens da Vila Pescoço, sobre a Rádio Comunitária Nova Geração da comunidade Porto Braga na Reserva Mamirauá e sobre o Centro de Mídia Independente de Tefé (CMI-Tefé). Haverá também o lançamento da nova Cooperativa de Artesanato iniciada pela Fabriciana e algumas jovens e senhoras do Bairro, e que já em seus primeiros dias de atividade está catalisando a valorização e a aprendizagem colaborativa a partir dos saberes tradicionais. Finalmente será apresentada a Dança do Cacetinho da Vila, dança de origem indígena e organizada por Leandro e Sió, um índio Ticuna, a Dança Boi Caprichoso de Fonte Boa, o grupo As Moreninhas e Explosão do Funk.

Nas noites do dia 8 a 10 de julho, no prédio do Centro da UEA de Tefé, a Flor terá continuidade através do mini-curso “Software Livre numa perspectiva crítica”, a ser ministrada por Fernão Lima do CMI-SP. O curso é aberto a toda a população e as inscrições podem ser feitas na secretaria da universidade até o dia 7 às 12h (detalhes na notícia anterior).

A “Vila Pescoço”, como é chamado, é o bairro mais mal afamado de Tefé. De origem recente (cerca de 20 anos), com grande parte das famílias vindas da zona rural, possui semelhanças com as comunidades, tais como o cultivo de roças e a realização de mutirões. É um dos bairros onde mais se cultiva a solidariedade entre vizinhos. Para os padrões capitalistas urbanos é “pobre”, possui problemas de violência, e saneamento: vários bairros despejam os seus esgotos na Vila. É discriminado na cidade, e seus jovens são estigmatizados como “galerosos” ("criminosos"). Não conseguem empregos e são mal aceitos nas escolas. Diante de tantos problemas, alguns desses jovens formam grupos juvenis que buscam a solução no álcool e nas drogas, e algumas moças vendem o próprio corpo. Esta Flor da Palavra visa contribuir para a invenção de laços de comunicação e solidariedade entre os moradores do bairro, a universidade, movimentos sociais (CMI-Tefé em particular), e moradores de fora do bairro, quem sabe até de fora da cidade. A organização é colaborativa, então qualquer outra iniciativa que se some a esta programação preliminar será bem vinda.

No últimos dois sábados, dias 21 e 28 de junho, ocorreu um evento parecido, desta vez na aldeia Barreira de Baixo da terra indígena Barreira da Missão. A Prof. Ignês Tereza (UEA), que desenvolve projeto e ministra disciplina de graduação sobre educação indígena, levou cerca de 30 alunos para apresentar seus seminários e debater o tema com indígenas da região. Houve ainda a participação da rádio Xibé e CMI-Tefé, que transmitiu e registrou o evento, e apresentações dos resultados dos trabalhos de iniciação científica de Fabriciana Moraes, Alex Coelho e Pedro Paula, que são orientados pelo Prof. Guilherme Figueiredo (UEA). Fabriciana e Alex fizeram também uma apresentação dos seus trabalhos para alunos do 1º ano do ensino médio da escola GM3, no dia 13 de junho.

A Flor da Palavra é uma rede de comunicação e solidariedade que está sendo inventada com inspiração no zapatismo, sobretudo a partir de eventos (Flores) que procuram unir os mais variados grupos, valendo-se das linguagens e tecnologias desejadas e possíveis, e que já foram realizadas em Campinas, São Paulo, Brasília (duas vezes), Marília, Vitória e Tefé (agora pela terceira vez), mas sempre conectando-se com grupos de outros lugares que participam através de viagens, correrios, web-rádio, etc. Existe já a discussão para a realização de um grande encontro presencial no Brasil.

Programação preliminar do dia 5 na Vila
(ver a programação do mini-curso no artigo anterior)

16:00 Início das transmissões e oficina de rádio livre
18:30 Abertura oficial do Presidente do Bairro: Sr Sátiro
18:40 Palestra e imagens – “Transformação social na invenção do Centro de Mídia Independente de Tefé” de Pedro Paula
19:10 Palestra e imagens – “Disseminação da comunicação na comunidade Porto Braga da Reserva Mamirauá” de Alex Coelho
19:40 Palestra e imagens - “Jovens de Nossa Senhora de Fátima: de ‘objetos’ a sujeitos de pesquisa” de Fabriciana Moraes
20:30 Dabate geral, intervenções livres, pesias, gritos ou risos.
21:00 Lançamento da Cooperativa de Artesanato da Vila
21:30 Dança do Cacetinho - organizada por Sió e Leandro
22:00 Grupo de Dança As Moreninhas
22:30 Dança Boi Corajoso (de Fonte Boa)
23:00 Explosão do Funk