Xibé e Voz da Ilha participam de encontro de jovens na FLONA dias 26 e 27/9/2015

Xibé e Voz da Ilha participam de encontro de jovens na FLONA dias 26 e 27/9/2015
O coletivo Voz da Ilha, que faz atividades relacionada à comunicação comunitária e ativismo popular, participou de uma articulação,na qual foi discutido uma forma de atuação em parceria,coma Associação de produtores Agroextrativista da Flona de Tefé e Entorno – APAFE, na pessoa do Francisco Dárcio Falcão, Huéfeson membro da APAFE, o ICMBio dando apoio logístico através do funcionário Rafael, Sérgio Luiz (Serginho) membro do Coletivo Voz da Ilha e Jhakuma da Xibé, e Camila voluntária da União (atuante pelo MMA), visando atuação na Reserva Flona de Tefé-Am.

Estabeleceu os dias vinte e seis e vinte e sete de setembro de dois mil e quinze, como dias de atividade na Comunidade São Sebastião no Rio Curumitá, segundo a programação discutida em reunião anterior, onde foi definido o seguinte:

Dia 26 – as 09:00

Apresentação de todos os envolvidos
Serginho – Coletivo Voz da Ilha
Jhakuma – Coletivo da Xibé
Camila – Ministério do Meio Ambiente
Rafael – ICMBio
Huéfeson – Associação Flona de Tefé

Dia 26 – De 09:10 as 09:30

Apresentação do ICMBio e sua forma de atuação
Rafael – ICMBio
Huéfeson – Associação Flona de Tefé (mediador)
Serginho e Jhakuma – Transmissão em FM

Dia 26 – De 09:30 as 12:00

Apresentação de propostas para o Plano Nacional de juventude de meio ambiente

Camila – Ministério do Meio Ambiente
Huéfeson – Associação Flona de Tefé (mediador)
Serginho e Jhakuma – Transmissão em FM

Dia 26 – De 12:00 as 17:00

Apresentação de proposta dos comunitários e seleção de prioridades
Camila – Ministério do Meio Ambiente
Serginho e Jhakuma – Transmissão em FM
Huéfeson – Associação Flona de Tefé (mediador)

Encerramento do dia

Dia 27 – De 08:00 as 12:00

Apresentação - Relatos de experiência radiofônica, organização e atividades promovidas.
Jhakuma – História pessoal de experiências na rádio Xibé e Aldeia indígena
Serginho– Relato de experiências na rádio Xibé e Voz da Ilha
Huéfeson – Associação Flona de Tefé (mediador)

Encerramento.

Dando seguimento, a logística pelo ICMBio foi a de ceder uma lancha com motor de polpa, com potencia de 200hp, suficiente para chegar em menos três horas do local de saída até o destino. Colocando o Sr. Armelindo (comunitário) como piloto, e após conferência de material e pessoal, tivemos a saída do Flutuante São Jorge as 06:30 da manhã, porto atrás da prefeitura de Tefé, em direção a comunidade São Sebastião.

A chegada na comunidade foi as 08:30, e por questão de estarmos em plena seca dos rios, enfrentamos uma subida de barranco até a parte mais plana, e fomos recebidos pelo presidente da comunidade xxxxxx, que nos direcionou para a escola que seria o local da atividades. E seguido por problemas de distribuição de energia, foi cedido o espaço da igreja local, e direcionados para estabelecer moradia em uma das casas próximas, na forma de moradia solidária, onde a família acolhevisitante. No decorrer houve o café da manhã na cozinha que ficava próxima do local da atividade.

A rádio xibé 106.7 fez a transmissão de tudo que iria acontecer, e contou com a participação de jovens da comunidade para montagem da antena em cima de uma árvore próxima da igreja, posicionando os equipamentos e fazendo testes. De pronto deixando todos ambientados na mesma frequência, e passamos nas casas avisando quem não pudesse ir para atividade, que ligasse seus rádios na frequênciaFM 106.7 para acompanhar, sabendo que tinha pessoas que durante o dia vão para os centros (roçados), e de lá poderiam acompanhar o que se transmitia.

A rádio transmitiu pela manha e tarde do dia vinte e seis com o Rafael (ICMBio),fazendo um levantamento de propostas sobre o que a comunidade gostaria de apontar. O assunto girava em torno do modo de viver sustentavelmente e encaminhar seus anseios, e Camila (representante da União) com ajuda do Huefeson, Raimunda, Rafael, já oJhakuma (xibé) e serginho (vozdailha) ficaram na transmissão.

Iniciou com a leitura do texto apresentado por meio de powerpoint, que falava sobre sustentabilidade e objetivos para uma melhor conservação e utilização dos recursos naturais, acompanhada da leitura da cartilha Estatuto da Juventude e debate sobre duvidas em alguns trechos do mesmo, levando tempo de 09:00 até as 12:00 com intervalo de almoço e voltando as 14:00.

Continuou a programação com atividades de sistematização das perguntas e escolhendo as melhores propostas e soluções, para as problemáticas das comunidades, e utilizou-se papel madeira para escrita dos grupos formados e frutos de debates em quatro rodas, e por fim, leitura do que foi discutido membros, e após foi fixado em um mural na parede da igreja, e selecionando mais uma vez as propostas mais importantespara as comunidades, e assim conseguiram-seas propostas.

Chegando as 18:00 horas,tivemos o jantar e nos recolhemos.

Domingo dia 27, é a atividade da Rádio Xibé 106.7 e Voz da Ilha 100.5,Jhakuna e Serginho começam a atividade que toma corpo de círculo feito por pessoas que foi crescendo aos poucos, e feita uma apresentação para identificar melhor as pessoas e perguntas. Houve uma sondagem do que eles teriam dúvida e palavras que não conhecem, e falar sobre rádio livre foi uma delas.

Explicar porque é rádio livre e como funciona, foi um rememorar do que a xibé e vozdailha são, Jhakuna cita as suas primeiras impressões de participação na xibé, como ele conheceu e como vem atuando desde o começo, e fez sua fala sobre a importância de ter um coletivo que decidem e executam de maneira horizontal, e sobre pessoas que se envolvem e lutam pela melhoria do lugar onde vivem, fala de sua aldeia que tem rádio e que as pessoas no início não tinham ideia do poder dela, e quando foram percebendo, toda a aldeia abraçou a causa e até hoje ela existe.

Serginho fala de outra realidade que vem, da necessidade de pessoas que não tem atividade coletivas para participar, decidem se unir pelo que sabem fazer e formaram um coletivo que escreve, imprime e tem site na internet para falar da situação do seu bairro, e também da luta pelo saneamento básico que é precário, água, esgoto, as ruas e áreas de lazer que não tem, salvo só um campo de futebol que nem todos tem acesso, e principalmente sobre a energia.

Contou como surgiu a rádio livre e a necessidade do bairro, frutos de um coletivo que com o tempo consegue enxergar uma maneira de interferência no local onde vivem. Alguém pergunta: por que é livre? A resposta é o fato de que a liberdade de expressão é uma causa, e o desprendimento da dependência de partido políticos e pessoas mal intencionadas. Participar de um coletivo percebe-se que a rádio não precisa ter padrinhos políticos, ela é livre e carrega as vozes dos que não tem vez nas rádios comercias e as “comunitárias”, a intenção de sua existência é a facilitação de comunicação entre as pessoas, encurtar distâncias, estando ela carregada dos objetivos se tornando ferramenta de luta social.

Nesse contexto de grupo com dúvidas, foi perguntado se rádio tem sede em Tefé.Uma pergunta sobre sua estrutura. E mostramos que uma rádio fisicamente é aqueles equipamentos em cima de uma mesa, como visto na instalação, e fazem uso deles com objetivo democratizar a comunicação popular. Antes ficava fixa na universidade, no caso da xibé, e no colégio a voz da ilha, vendo que o acesso limitava as pessoas ela se tornou itinerante para alcançar mais pessoas, assim outras pessoas tem acesso a essa tecnologia que não tem muitos segredos, isso é desmistificar ideias sobre o rádio.

Queriam saber das muitas atividades da rádio, lugares que fomos e pessoas que tiveram iniciativa de articular um meio de comunicação próprio, seja boca de ferro (como a que tem na igreja - defeito) ou seja minitransmissores deixados após oficinas de construção.

Os jovens perguntaram ao Jhakuna e eu: Como a gente pode adquirir os equipamentos? Falamos que há duas formas, a primeira é comprando que chega a valores de 400 a 2.000 reais, e a segunda é participando de iniciativas de editais de movimentos sociais na internet, que pedem apresentação de projetos para ajudar movimentos sociais a organizar as comunidades e suas lutas. Basta o interesse das pessoas em fazer um ajuri com vontade de ajudar.

Jhakuna de colaboração financeira, como bingo, rifas e doações para levantarem dinheiro e quem sabe comprar, mas se for do outra maneira, vai precisar de pessoas para estarem dedicados a conseguir coletivamente, propor para a comunidade, diz ele.

Acabando as perguntas, os jovens da comunidade chamaram uma programação de oficinas de três dias em uma comunidade a ser escolhida (comunidade boa vista – Rio curumitá), com marcação de data entre a primeira e segunda semana de dezembro a ser reafirmada através do Huefeson, contato facilitador desta combinação. Escolheram que queriam aprender construir mini transmissores, e painéis solares caseiros, e dissemos que até lá iriamos recolher material para poder realizar as oficinas, e novamente estaremos visitandoas comunidades da reserva flona.

A atividades de debates em roda e utilização da rádio xibé, durou pela manhã de 08:00 as 12:00, tendo um almoço e banho no igarapé em frente da comunidade, finalizando com despedidas trocas de contatos e saída pelas 14:00 horas.

Posso afirmar que existe um interesse individual que se torna coletivo na comunidade, nessa situação foi preferível por nós escutar o que a comunidade esperava da atividade, mas fomos surpreendidos por eles dizerem querem nos escutar e decidir o que de melhor lhes interessa, dessa maneira partimos do nosso pensar sobre o que mundo oferece e um diálogo sobre as dificuldade que na parte mais urbana acontece, e que na comunidade ainda não se tornou um problema, por exemplo, saneamento básico, assuntos de responsabilidade das autoridade.

E nós pensamos que não podemos ficar parados esperando uma intervenção vinda dos poderosos, os poderosos somos nós que buscamos que nossas vozes voem mais longe, e argumentamos que como não estávamos sendo ouvidos, decidimos por espalhar nossos pensamentos e músicas, falar de nossas vidas.

A comunicação para nós, dizemos a eles, é um importante porque manifesta nossos anseios, e assim como eles que pedem uma atividade como a que aconteceu, é por aí que começa a mudança, reivindicando mais informações e aprendizado para seus objetivos coletivos.

Contudo, a experiência que foi sentida da mistura de modos e formas de fazer a comunicação acontecer, foi uma inspiração para muitos que querem transformar seus desejos em realidade. Ser independente de energia coorporativa, e seus Próprios meios de se comunicar mais efetivos, do que simples cartinhas passadas de mão, contando com a sorte de quem a leva.

Uma incrível demonstração de boa vontade de vencer na vida, nos recursos naturais e na conservação do seu modo de viver na comunidade.