Voz da Ilha e Club Five realizam oficinas em encontro de jovens na comunidade Boa Vista

Voz da Ilha e Club Five realizam oficinas em encontro de jovens na comunidade Boa Vista
O Coletivo da rádio Livre Voz da Ilha 100.5fm, foi convidada para uma reunião na sala do ICMBio pelo Rafael e Huéfeson da APAFE. Eu Sérgio Luiz como intermediador do coletivo, participar da reunião onde foi proposta uma nova atividade conjunta com a juventude da Comunidade Boa Vista, São Sebastião e as demais comunidades da Reserva Flona de Tefé.

De acordo com disponibilidade da comunidade, a data escolhida foi dia 04, 05 e 06 de dezembro de 2015, final de semana a pedido dos moradores da Flona, diante disso, iniciou-se a preparação do material e levantamento de compra de peças e componentes, e ainda outros materiais metareciclados para serem utilizadas na oficina.

Dia 04 – De09:00 as 12:00

Início

Sr. Armelindo – abertura e boas vindas.
Huéfeson (APAFE) – Abertura e recapitulação de atividades anteriores
Ronilson e Leila ( intercâmbio RDS Rio negro) – Relato de experiência
Mônica(ex-comunitária) – com dinâmicas de entretenimento
Huéfeson – esclarecimentos sobre a Associação Flona de Tefé

Dia 04 – De 14:10 as 17:30

Continuação

Sr. Armelindo – abertura e informes.
Huéfeson – Energia renováveis e não renováveis, e alternativas.
Serginho– Metareciclagem e aproveitamento de peças.
Dia 05 – De 09:00 as 12:00

Início

Luiza Maria (Clube Five) – O que é e Como começou.
Luiza Maria – Como fazer um programa de rádio
Luiza Maria – Trabalhos em grupo – apresentando programas ambientais
Serginho – conhecendo um pouco sobre educomunicação.

Dia 05 – De 14:00 as 17:30

Continuação

Serginho – Como começou a Voz da ilha e sua forma de atuação
Serginho– Dinâmica de textos sobre liberdade de expressão.
Serginho – Oficina de Mini transmissores – conhecendo os componentes
Serginho– Dinâmica de teste de soldagem em fio de cobre.

Dia 06 – De 08:00 as 12:00

Início

Serginho – Formação de grupos de construção de mini transmissor
Serginho– Distribuição de kits de peças.
Serginho – Soldando os componentes na placa de fenolite
Serginho– Finalização da Construção do Mini transmissor.

Encerramento

Chegou o dia.

O percurso de saída foi do porto flutuante são Jorge, no horário de 06:30 da manhã com chegada as 08:30, com a enchente dos rios ficou mais fácil o desvio de trechos ruins ao longo da viagem. Embarcados estavam Ronildo e Leila da RDS Rio Negro, Mônica ex-moradora da Reserva Flona, Huéfeson e Francisco Falcão da equipe gestora da FLONA de Tefé, e a Luíza Maria locutora do programa Club Five, estudantes se apropriando de programas de rádio, e Serginho do coletivo da rádio Voz da ilha 100.5fm.

Ao chegar da comunidade fomos recebidos pelo Sr.Armelindo que prontamente nos direcionou para a escola, onde deixamos o material a ser utilizado, e depois levado até uma casa cedida como moradia temporária para nós. Na escola foi-nos preparado um café da manhã reforçado, e pelas 09:15 dando início a atividade.

No começo do primeiro dia, houve a participação de 33 jovens de diversas comunidades entre elas, a comunidade São Sebastião, Santa Maria do Boto, Estirão do Equador, Preciosa, Boa Vista e Santa Rosa, e ainda notícias de que mais jovens apareceriam.

Houve a apresentação dos presentes, falando seu nome e o que fazem, e numa manha descontraída, a Mônica (ex-moradora) inicia com uma dinâmica de exercício físico de ginástica, onde foi muito bom e fez com que nós pudéssemos estar mais entrosados, e assim começar a atividade com mais proveito e de forma esclarecedora.

Apresentações feitas, Huéfeson como intermediador deu sequência a uma manhã, começando com orelato de experiência dos Jovens Ronilson e Leila da RDS Rio negro, falando de suas atividades de preservação e conservação do meio ambiente da localidade do rio Negro, mostrando uma forma de atuação de juventude que se preocupa com os recursos naturais.Percebemos que os jovens estavam muitotímid@s, Ronilson e Leila ajudaram bastante quando houve o relato de experiências na RDS Rio Negro.

Visando maior entendimento, foi visto que algumas situações quanto a significado de palavras e siglas foram postas e esclarecidas buscando adaptar as pessoas do que tratava nessa conversação, e perguntas foram aparecendo relacionadas ao comportamento adotado pelos moradores destas reservas, com a pesca, defeso, proibição, conservação, preservação, desmatamento, e outros.

Durante o evento foram construídos cartazes e faixas com frases que tratam da realidade da comunidade, formando a conscientização dos jovens e adultos envolvidos no processo e desenvolver o cognitivo, fomentando a criatividade de jornalismo popular e produzindo textos.

Cada participante produziu um texto a ser lidos nos programas da rádio Voz da Ilha e Xibé e no programa do Club Five. Uma amostra de manifestação de vozes da floresta lida através das frases e textos dos comunitários. Houve ainda atividades com envolvimento total da juventude nas animações, nos debates, nos trabalhos em grupos bem como em sua apresentação em plenária e sempre com a animação quando encenavam cenas de programas de radio que abordou os temas trabalhados durante o dia: ENERGIAS RENOVAVEIS, LIBERDADE DE EXPRESSÃO E CONSERVAÇÃO, aonde os mesmo apresentaram a problemática e a solução para os problemas.

Houve apresentação de trabalhos em grupo, que mostraria uma maneira de apresentar programas de rádio com viés de meio ambiente e conservação, foi uma amostra da capacidade de cada um estar empenhado na construção de caminhos através da produção de conteúdos sobre a mídia nas comunidades.

A comunicação tem muitas raízes e uma delas crescem em torno da histórias das pessoas que através de uma reunião em frente da casa de uma dos colegas, começa a articular uma ação coletiva, cheia de amigos e oportunidade e espaço a serem democratizados, foi narrado a história da vozdailha e como isso tudo começou, que pessoas eram, como foram se conhecendo, e o que cada um pensava sobre a comunicação através do jornalismo popular sem censura ou sem pagar para publicar.

Tudo era novo para todos e as pessoas tinha algo em comum, estarem morando num mesmo bairro com necessidades que afetavam todos, e se juntar e fazer um informativo com ampla distribuição no bairro, e ainda, buscar novos conhecimentos para aprimorar sua intelectualidade, ocupar espaços ociosos na escola do bairro. Esse grande avanço que é ter acontecido de juntar pessoas, local para atuação e ter acesso a recursos virtuais como a internet, ajudou a desprender do pensamento simplesmente local, indo em direção a novas formas de atuação.

Os jovens da comunidade ouvindo a história da vozdailha se identificam em alguns aspectos, como as pessoas sem recursos financeiros nenhum conseguiram mobilizar um bairro para lutar contra os preconceitos e desamparo municipal que já tem mais de 169 anos. Ser articulado para eles foi se juntar com outras pessoas e pela união surgir coisas novas e diferentes de tudo que já fizeram.

Fruto disso são as práticas de democratização pelas oficinas e desmistificação dos eletrônicos, e sem apropriar dessas tecnologias e fazer um melhor uso desses recursos, seja para si mesmo ou para utilização na educação.

Dando continuidade foi realizada outra atividade, com o Serginho, montando no local um cordão de fio de cobre, onde cada um foi testar sua pratica como fazer a solda e fios, uma forma de treinamentosobre soldar os componentes dos mini transmissores.

Continuando com a programação, tivemos um treino sobre a distinção das peças, pois conhecer os componentes são necessários para saber a ordem da solda das peças. Vendo a habilidade dos participantes partimos para a própria construção dos mini transmissores, e com muitas peças e tempo, conseguimos produzir três mini transmissores funcionando prefeitamente.

Com êxitos foram escolhidos alguns jovens das comunidades presentes, seis jovens, que serão multiplicadores de construção de mini transmissores, já pensando numa próxima oficina. A importância do domínio da construção foi vista de forma positiva, pois os moradores buscam a autonomia de energia e comunicação.

Assim discutimos também temas como a energia e a educomunicação, que permitiu a juventude conhecer melhor como funciona os meios de comunicação como o radio, ferramenta usada nesta formação. A desmistificação de eletrônicos através de conhecimento compartilhado, fez de nós pessoas mais próximas de lutas desconhecidas como a defesa dos recursos da reserva e sua busca de proteção e denúncia de invasão dessas áreas.

Percebi que as comunidades em geral buscam se utilizar dosmeios de comunicaçãopara incentivar a participação de tod@s, inclusive planejando até outras atividades. Uma das ações que gostei bastante foi as rodas de conversa e trabalhos em grupo, que permitem uma maior participação.

A atividade foi de boa participação pelos jovens, que declararam por unanimidade que pediram que sejam realizados outras. Ao discutir as temáticas que gostariam, solicitaram que sejam continuadas as oficinas de educomunicação e energias alternativas e mini transmissores, para futuramente, poderem formar um grupo de comunicadores do rio Curumitá. Além disso, solicitaram que o próximo encontro acontecesse o mais breve possível e que fosse na comunidade Santa Maria do Boto no Rio Curumitá de Baixo.

Como o objetivo final do encontro era a construção de transmissores, a juventude conseguiu no final do encontro construir.

Tivemos um momento de: QUE BOM, QUE PENA E QUE TAL, aonde a respostas eram surpreendente e podemos perceber que as expectativas construídas no primeiro momento do encontro foram atingidas até o final do encontro.

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Leia também a matéria publicada pelo ICM-Bio:

Jovens extrativistas fortalecem gestão da Flona de Tefé

http://www.icmbio.gov.br/portal/comunicacao/noticias/4-destaques/7460-jovens-extrativistas-fortalecem-gestao-da-flona-de-tefe.html

Brasília (07/01/2016) – O projeto da Floresta Nacional (Flona) de Tefé (AM) “Jovens da floresta como atores(as) no fortalecimento comunitário e gestão participativa” realizou mais uma etapa entre os dias 4 e 6 de dezembro. Desta vez, as atividades tiveram lugar na comunidade Boa Vista do Rio Curumitá, no interior da Flona. O projeto é resultado do III Curso de Educação Ambiental na Gestão Pública da Biodiversidade, promovido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A iniciativa é coordenada pelo jovem extrativista Huéfeson Falcão dos Santos, participante do primeiro projeto de jovens iniciado em 2011, apoiado pelo Instituto, e conta com a parceria da Rádio Xibé, Associação de Produtores/as Agroextrativistas da Flona de Tefé e Entorno (Apafe) e do Coletivo Voz da llha. A expectativa é de que ao final do projeto seja formado um coletivo e criada uma rádio comunitária.

O tema trabalhado foi Educomunicação, assunto que surgiu a partir de uma demanda da juventude, que sentia a necessidade da comunicação entre as comunidades e o centro urbano. O encontro contou com a participação de mais de 60 jovens, vindos de seis comunidades pertencentes à unidade de conservação (UC).

Foram três dias de muita discussão, proposições e principalmente de fortalecimento da luta dos jovens da floresta. Eles trouxeram em suas mochilas expectativas, esperanças, alegria e sonhos, buscando a melhoria de vida dos povos da floresta.

“Presenciamos um intenso sentimento de luta e emoção ao ver a juventude reunida para discutir e propor questões relacionadas à Educomunicação. Como a Flona de Tefé é uma UC prioritária no Programa Luz para Todos, eles também discutiram quais as fontes de energias mais viáveis para a realidade local vivenciada pelos comunitários”, explicou Huéfeson Falcão dos Santos, coordenador do projeto

Segundo os organizadores, o comprometimento dos jovens foi expressivo ao dizerem e mostrarem o que pensam e o que querem a partir da conjuntura e do contexto vivenciado por eles em suas comunidades. “Vemos jovens maduros, emancipados, jovens sonhando novamente e com esperança, mas a luta ainda precisa ser intensificada para garantir o protagonismo dos jovens da floresta. Não fazemos com esse projeto somente a formação técnica, fazemos também a formação política e por meio disso acreditamos que a juventude e a unidade de conservação se fortalecerão”, ressaltou Huéfeson.

Ao final, os jovens definiram a realização de um novo encontro para a continuidade dos trabalhos de Educomunicação. “Foi muito bom participar deste encontro. É minha primeira vez e gostei muito. Aprendi muitas coisas que eu não sabia e vou levar esse conhecimento para compartilhar com a minha comunidade. Espero que o próximo encontro aconteça logo e que seja na minha comunidade”, disse um dos participantes do encontro.

Comunicação ICMBio
(61) 2028-9280