Seminário Internacional discute rádio digital e espectro livre no Rio de Janeiro

Seminário Internacional discute rádio digital e espectro livre no Rio de Janeiro

A experiência da Xibé foi levada para o III Seminário Internacional Espectro, Sociedade e Comunicação, que reuniu ativitas e pesquisadores de mídias livres na Universidade Federal do Rio de Janeiro nos dias 14 e 15 de outubro de 2014. Também estavam presentes as rádios livres Grimpa, Gralha, Muda, Interferência, Pulga, Cúpula, Bronka (esta de Barcelona) além de rádios educativas e experimentais como a rádio MEC e a Radiofórum e a Associação Mundial de Rádios Comunitárias (AMARC). Também estabam os pesquisadores Mário Sá Rego Costa (UERJ) , Ivana Bentes (UFRJ), Rafael Diniz (Telemídia – PUC-Rio), Arthur William (Rebaixada.org), Thiago Novaes (UnB) e Nils Brock (Flujos.org).

O objetivo do Seminário foi dar continuidade às discussões sobre o futuro do rádio e da comunicação. Um dos temas mais importantes é a escolha por parte do Estado brasileiro do padrão de rádio digital que será adotado no país. Os pesquisadores e militantes alertam que se for escolhido o IBOC, também conhecido como HD Radio, as rádios livres e comunitárias serão prejudicadas pois, além de ser uma tecnologia proprietária, que impede alterações e exige o pagamento pelo direito de uso, funciona mal em baixa potência e não funciona na faixa de Ondas Curtas e Tropicais. Eles defendem a adoção do padrão DRM, que é um padrão aberto e permite não apenas ampliar o número de estações como também a transmissão de dados e aplicativos. Com isso os aparelhos de rádio podem se tornar uma alternativa à internet, com a vantagem de propiciar maior autonomia na comunicação entre emissoras e usuários.

Outra proposta é o "espectro livre", ou seja, a reserva de faixas de frequência que poderão ser utilizadas sem a necessidade de autorização federal, desde que para fins não comerciais. Os primeiros beneficiados seriam as comunidades indígenas e ribeirinhas, bem como outros movimentos populares que passariam imediatamente a poder instalar rádios livres e comunitárias sem depender da ajuda de especialistas e políticos. A logo prazo, tornaria possível a experimentação amadora e a invenção ilimitada de novas possibilidades de utilização do espectro. Já existem experimentos com telefonia móvel comunitária, wi-fi livre e rádio digital, que são exemplos do que a população poderia desenvolver se tivesse do acesso livre a uma parte do espectro.

Baixe aqui o áudio da entrevista realizada pelo +1C@fé com alguns participantes:

http://fabzgy.org/wordpress/2014/10/24/pt-espectro-sociedade-e-comunicacao-3/#more-412